sábado, 17 de agosto de 2013

tempo

by - Ana Johnson
O tempo é um intrincado conluio entre a chegada e a partida. Que o digam como queiram. Cantem-no rio e mar, e oceano até, porque é num pequeno lago – quase charco - que o vejo, transformado.

O tempo é carcereiro. Algoz que nos prende, carrasco que nos arranca vida e memória. E podia dizer coisas soberbas sobre o tempo. Podia. Mas, hoje, não sinto que haja nada de transcendente para partilhar sobre essa - sua - voraz passagem.
No tempo, vejo a minha mãe,  que me olha como se os meses que lhe passei dentro, abrigada, nunca tivessem existido. E que, a tempos, me conhece ou não e não reconhece as horas e  nem os anos que passaram por ela, por mim, por nós. O tempo é traiçoeiro, caminha-lhe ao lado, atrás e à frente. caminha-lhe pelos mesmos sítios de sempre ( e sempre) como se fosse a primeira vez.
E os meus filhos olham-me e vejo neles um medo de que o tempo se lembre também de mim. O tempo não passa de jogo sádico que nos acontece.

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