nos
lugares da paz que recordo,
quase
nada:
encontros
em desencontro,
instantes,
rastos e restos,
pós
de vida, vultos vagos.
quase
nada.
existe
uma gotinha que acontece na descida,
lugar
de sorte e morte lenta, vida.
estrela-mar,
tudo.
canto-puro,
pedras
que dançam
no
rio em flor que a fina gota alimentou.
[
sim, houve uma gota. ligeira. água].
deu
azos a acasos vãos,
e,
até, a gritos da rama,
que
dormia, rasa, em estreito muro...
queria
acordar-se um encore de vida, que não existia,
tatuada
nos campos feitos de corpos-quadro,
[
que nunca se presumem,
assumiam]...
ali,
olhando a galeria, me ponho assim,
saudade
escrita no fim
[
que é fado triste,
em
que apago as pegadas do que me existe
e
corre e assiste]
sempre:
meio-tudo meio-nada,
tanto
em riste, quanto triste
que,
de cheio, o copo se faz pranto e verte a fé
[
que foge ao terço como a conta de prata ao nada].
fé
e crença amortalhadas num ápice evocado .
e
o tempo conspirado existe e expira,
nas
asas sem dúvidas da borboleta, no chão, [ que passo e piso],
no
encanto de imagens pensadas,
meticuloso
berço de um deserto,
[outono],
onde as estrelas, que assim se deixam ver,
chamam
longas noites e a alma reza, lenta,
devagar,
dobra-se
em ventos de areias,
preces
gastas em todos os vazios livres, mais além,
onde
guardo o que não vivi, síntese do que foi,
[
porque o amanhã me pode não acontecer...],
é
então que regressam os sonhos ao lugar sonhado,
e
o pensamento foge da verdade tua, ó tempo,
que
longe estás do céu, do fim da minha rua.