sábado, 17 de agosto de 2013

Águas de Lastro o fim da minha rua

nos lugares da paz que recordo,
quase nada:
encontros em desencontro,
instantes, rastos e restos,
pós de vida, vultos vagos.
quase nada.
existe uma gotinha que acontece na descida,
lugar de sorte e morte lenta, vida.
estrela-mar, tudo.
canto-puro,
pedras que dançam
no rio em flor que a fina gota alimentou.
[ sim, houve uma gota. ligeira. água].
deu azos a acasos vãos,
e, até, a gritos da rama,
que dormia, rasa, em estreito muro...
queria acordar-se um encore de vida, que não existia,
tatuada nos campos feitos de corpos-quadro,
[ que nunca se presumem,
assumiam]...
ali, olhando a galeria, me ponho assim,
saudade escrita no fim
[ que é fado triste,
em que apago as pegadas do que me existe
e corre e assiste]
sempre: meio-tudo meio-nada,
tanto em riste, quanto triste
que, de cheio, o copo se faz pranto e verte a fé
[ que foge ao terço como a conta de prata ao nada].
fé e crença amortalhadas num ápice evocado .
e o tempo conspirado existe e expira,
nas asas sem dúvidas da borboleta, no chão, [ que passo e piso],
no encanto de imagens pensadas,
meticuloso berço de um deserto,
[outono], onde as estrelas, que assim se deixam ver,
chamam longas noites e a alma reza, lenta,
devagar,
dobra-se em ventos de areias,
preces gastas em todos os vazios livres, mais além,
onde guardo o que não vivi, síntese do que foi,
[ porque o amanhã me pode não acontecer...],

é então que regressam os sonhos ao lugar sonhado,
e o pensamento foge da verdade tua, ó tempo,

que longe estás do céu, do fim da minha rua.

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